O modelo de trabalho deve equilibrar estratégia do negócio e expectativas dos profissionais;
Flexibilidade passou a influenciar atração, retenção e decisões de carreira;
O desalinhamento entre preferência e prática pode aumentar insatisfação e turnover;
Não existe um modelo universal para todos os setores, funções e empresas;
Clareza, consistência e transparência tornam o modelo de trabalho mais sustentável.
O verdadeiro desafio para empresas e lideranças é equilibrar as necessidades do negócio com as expectativas dos profissionais, de forma coerente e sustentável. Acesso o material Modelos de Trabalho.
Durante anos, a discussão sobre modelos de trabalho foi reduzida a uma pergunta simples: quantos dias por semana os profissionais devem estar no escritório?
Mas os dados mostram que essa pergunta está incompleta e pode até levar a decisões equivocadas.
Hoje, o verdadeiro desafio para empresas e lideranças é outro: como equilibrar as necessidades do negócio com as expectativas dos talentos, de forma coerente e sustentável.
Flexibilidade deixou de ser benefício e virou fator de decisão
A flexibilidade já não é mais um diferencial opcional. Ela passou a ser parte central da proposta de valor das empresas.
Mais da metade dos profissionais afirma que consideraria mudar de emprego caso perdesse flexibilidade no trabalho.
Isso indica uma mudança relevante: o modelo de trabalho deixou de ser um tema operacional e passou a influenciar diretamente decisões de carreira, atração e retenção.
Mas isso não significa que exista um modelo ideal universal. Diferentes setores, funções e contextos operacionais exigem níveis distintos de presença física, colaboração e autonomia. O risco está em tentar aplicar uma solução única para realidades que são, por definição, diversas.
Preferência x prática
Quando comparamos o que os profissionais desejam com o que as empresas adotam, surge um desalinhamento relevante:
41% preferem híbrido com flexibilidade, mas apenas 17% vivenciam esse modeloApenas 8% preferem 100% presencial, enquanto 37% das empresas adotam esse formato
Esse gap gera tensão, especialmente quando não é bem explicado. Organizações mais bem-sucedidas não são necessariamente as mais flexíveis ou as mais presenciais. São aquelas que definem critérios claros, comunicam com consistência e alinham expectativas desde o início.
O retorno ao presencial reacende um risco conhecido: perder talentos
Nos últimos anos, muitas empresas passaram a exigir maior presença física. As motivações são legítimas:
fortalecimento da cultura organizacionalmelhoria na comunicação e colaboraçãoaumento de produtividadenecessidade de integração e supervisão
No entanto, 54% dos gestores avaliam que o aumento da presencialidade eleva o risco de turnover, especialmente em áreas mais competitivas e intensivas em conhecimento.
“Em um cenário de desemprego historicamente baixo e alta competição por talentos, decisões sobre modelo de trabalho ganham ainda mais peso. Quanto maior a dificuldade de contratação, maior a necessidade de alinhar flexibilidade e estratégia para não perder profissionais críticos para o mercado”, afirma Vítor Silva, diretor da Robert Half.
Como transformar o modelo de trabalho em vantagem competitiva
Algumas práticas ajudam a estruturar o modelo de forma mais consistente e alinhada à estratégia da organização.
Retenção:
comunicar claramente as regras e sua lógicagarantir consistência entre áreascapacitar líderes para gestão híbridamonitorar percepção e engajamento
Atração:
integrar o modelo à proposta de valor ao candidatoposicionar com transparência no processo seletivoevitar desalinhamento entre discurso e prática
“O diferencial competitivo não está no nível de flexibilidade adotado, mas na capacidade de tomar decisões coerentes com a realidade do negócio e sustentá-las com clareza, consistência e confiança ao longo do tempo”, finaliza Vítor Silva.
FAQ - Modelos de trabalho
O que são modelos de trabalho?
Modelos de trabalho definem como e onde as atividades profissionais são realizadas, incluindo formatos presencial, híbrido e remoto.
Por que a flexibilidade se tornou importante para os profissionais?
A flexibilidade influencia qualidade de vida, autonomia e decisões de carreira, tornando-se um fator relevante na escolha de permanecer ou mudar de emprego.
Existe um modelo de trabalho ideal para todas as empresas?
Não. O modelo mais adequado depende do setor, da função, da cultura organizacional e das necessidades operacionais de cada empresa.
O retorno ao presencial pode aumentar o turnover?
Sim. Quando não há comunicação clara ou alinhamento com as expectativas das equipes, o aumento da presencialidade pode elevar o risco de perda de talentos.
Como transformar o modelo de trabalho em vantagem competitiva?
A empresa deve definir critérios claros, comunicar as regras com transparência, capacitar lideranças e alinhar o modelo à sua proposta de valor para profissionais.
Sobre a Robert Half
Saiba como os recrutadores da Robert Half podem ajudar você a construir uma equipe talentosa de colaboradores ou avançar na sua carreira. Operando em mais de 300 locais no mundo inteiro a Robert Half pode te fornecer assistência onde e quando você precisar.