Para além de um mês: priorizando a saúde mental no ambiente de trabalho

  1. Quais são as principais queixas dos colaboradores?
  2. Dicas para incrementar apoio aos times
Tempo estimado de leitura: 3 minutos

Por Fernando Mantovani

Sempre faço questão de destacar a importância da saúde mental com minhas equipes, com clientes e aqui no meu blog. O “Setembro Amarelo”, mês dedicado à prevenção do suicídio, é mais uma ótima oportunidade para aprofundarmos esse tema à luz dos desafios do universo corporativo.

Em 2023, o lema da campanha desenvolvida em conjunto pela Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) é “Se precisar, peça ajuda”. A escolha não poderia ser mais apropriada, já que sentimos na pele quanto o bem-estar emocional depende do auxílio e da atenção das pessoas com quem convivemos, em casa e no trabalho.

Com o intuito de mapear a situação da saúde mental nas empresas brasileiras, lançamos mais uma edição da pesquisa anual feita em parceria com a The School of Life, contemplando a opinião de profissionais qualificados empregados e de recrutadores.

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Quais são as principais queixas dos colaboradores?

Compartilho, aqui, os principais insights do estudo, que evidencia os impactos significativos da saúde mental no engajamento e desempenho dos trabalhadores.

Para os profissionais empregados, o ambiente tóxico é a principal razão que os levaria a um pedido de demissão (42,86% dos votos). Entre 45% dos entrevistados, em algum momento dos últimos 12 meses eles deixaram de produzir ou se manter engajados por estarem emocionalmente abalados.

Ainda nesta categoria, 61% dos trabalhadores ouvidos acreditam que os líderes da sua empresa não estão capacitados para acolher os colaboradores que apresentam questões de saúde mental. Na opinião deles, as três principais habilidades socioemocionais que mais têm faltado no seu atual líder são: apoio, comunicação, e liderança.

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Do ponto de vista da própria carreira, as três principais habilidades socioemocionais que os profissionais mais gostariam de desenvolver em si são: espírito empreendedor, liderança e calma.

Entre os recrutadores, 40% deles avaliam que o nível de preocupação da sua empresa com relação ao bem-estar emocional e a saúde mental dos profissionais aumentou nos últimos 12 meses. No entanto, 65% dos entrevistados nesta categoria acreditam que os líderes da sua empresa não estão capacitados para acolher os colaboradores em dificuldades nesse território.

Além disso, 44% dos recrutadores ouvidos assumem que nos últimos 12 meses, em algum momento, também deixaram de produzir ou se manter engajados por estarem emocionalmente abalados. E 63% disseram que, no mesmo período, presenciaram profissionais que deixaram de produzir pelo mesmo motivo.

PESQUISA INTELIGÊNCIA EMOCIONAL & SAÚDE MENTAL

NO AMBIENTE DE TRABALHO 2023

Confira a terceira edição da pesquisa sobre saúde mental realizada pela Robert Half em conjunto com a The School of Life.


Sob a ótica das lideranças, as três principais habilidades socioemocionais que mais fazem falta em seus profissionais são: comunicação, capacidade de decidir e objetividade, definida como avaliação de algo ou alguém sem viés preconceituoso.

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Em uma autocrítica, os líderes apontam as três principais habilidades comportamentais que gostariam de ver aprimoradas em si: calma, espírito empreendedor e espírito inovador.

Dicas para incrementar apoio aos times

Deu para notar que no estudo algumas palavras aparecem em vários contextos, como comunicação e calma. Assim como elas, há outros cuidados relevantes a serem observados pelos líderes na hora de ajudar a equipe a manter a saúde mental em dia. Cito, a seguir, algumas delas:

- transparência – sendo a saúde mental um desafio de todos, é essencial abordar esse assunto com clareza e honestidade em reuniões, treinamentos, conversas privadas, para que todos se sintam à vontade para oferecer ou pedir ajuda;
 

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- sensibilidade – escutar os liderados, e identificar e solucionar pontos críticos, como excesso de pressão ou de tarefas, é uma maneira de prevenir quadros de desânimo, doenças, absenteísmo e até pedidos de desligamento;

- criatividade – reunir as equipes para pensar fora da caixa sobre alternativas que possam aliviar o estresse e melhorar a qualidade de vida costuma render ótimos resultados.

A valorização do bem-estar emocional é um forte indicativo de que a empresa leva a sério a empatia, o acolhimento e o respeito entre os funcionários. Uma organização com essas qualidades certamente atinge ótimos níveis de engajamento e de motivação, além de contribuir com a prevenção do adoecimento psíquico.

*Fernando Mantovani é diretor-geral da Robert Half para a América do Sul

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