O ICRH sinalizou um cenário de maior cautela. O índice atual consolidado caiu de 39,9 para 38,6 (-1,3pp), enquanto o indicador futuro recuou de 45,4 para 43,3 (-2,1 pp), o nível mais baixo da série histórica, iniciada em julho de 2017. A queda mais significativa no índice futuro indica uma visão pessimista sobre os próximos meses. Por outro lado, a retração menos acentuada no índice atual sugere certa estabilidade no curto prazo.
Entre os fatores que estabilizaram o indicador está a taxa de desemprego, que segue em queda e atingiu o patamar mais baixo da série histórica, registrando 6,2% para a população em geral (-0,2 pontos percentuais em relação ao trimestre anterior) e apenas 3% para trabalhadores qualificados.
No mercado de trabalho qualificado, a realidade é de pleno emprego, ou seja, pessoas que buscam oportunidades e atendem às competências exigidas pelos contratantes permanecem pouco tempo desempregadas (ou na mesma companhia, por conta das oportunidades recebidas).
Esses números do ICRH refletem um momento de maior prudência, porém adiar tomada de decisões, inclusive de contratação, pode gerar impactos negativos. Postergar projetos hoje pode significar escassez de talentos amanhã, resultando em pressões salariais e dificuldades na retenção.
O mercado permanece dinâmico, e profissionais continuam atentos às oportunidades. Empresas que demoram a agir podem perder talentos estratégicos para concorrentes mais preparados.
O ICRH é um indicador de difusão que varia de 0 a 100 pontos. Os indicadores são de base móvel (50 pontos), construídos de forma que valores acima de 50 indicam confiança dos agentes do mercado de trabalho.
A sondagem considera a mão de obra qualificada, composta por trabalhadores a partir de 25 anos com ensino superior completo. Os entrevistados foram divididos em três categorias: profissionais responsáveis pelo recrutamento nas empresas, profissionais com emprego e profissionais sem emprego.
A queda na confiança pode ser atribuída à avaliação do ambiente econômico do país, visto que 60% dos recrutadores o avaliam ruim e 48% preveem uma tendência de piora no médio prazo.
Por outro lado, 36% consideram que, com relação à área (setor) de atuação de suas empresas, a situação do mercado de trabalho hoje é boa e 82% acreditam que o cenário estará igual ou ainda melhor no segundo semestre.
80% das companhias relatam dificuldades na contratação de talentos qualificados. Entre as pessoas que contratam, 60% não esperam mudanças nos próximos seis meses e 32% (+3,5 pp) preveem um cenário ainda mais desafiador.
31% estão pouco otimistas quanto às suas chances de recolocação no mercado. Por outro lado, 33% acreditam que a probabilidade será mais alta nos próximos meses.
94% estariam dispostos a aceitar uma proposta de emprego para um projeto especializado com tempo determinado.