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Por Fernando Mantovani

Em 21 de abril é comemorado o Dia Mundial da Criatividade e Inovação, data reconhecida pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2017. O objetivo é lembrar a todos nós sobre a importância de pensar e agir fora da caixa para encontrar soluções voltadas aos inúmeros desafios globais, da fome à violência, da preservação do planeta à valorização da diversidade.

Enquanto escrevo me dou conta que no mesmo dia acontece o feriado de Tiradentes, símbolo da primeira luta pela independência do Brasil, e noto uma interessante coincidência. Tanto a busca por criatividade e a inovação quanto a Inconfidência Mineira, movimento do qual Tiradentes participou, são processos intensos de mudança e ressignificação. Ambos envolvem um profundo questionamento da realidade e um desejo de transformá-la em algo melhor.

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A inovação requer um cenário propício para acontecer

Com isso, quero enfatizar que é impossível inovar e criar sem que existam condições ideais para tanto. Mentes inquietas, curiosas e inconformadas com o status quo são as mais propensas a provocar grandes viradas de chave. Basta pensar em Marie Curie ou Einstein. Transpondo essa linha de raciocínio para o mundo corporativo, como uma empresa pode cultivar a inovação e a criatividade entre os funcionários?

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A troca de ideias e experiências é um ótimo caminho para construir soluções inventivas. Uma cultura organizacional aberta a dúvidas, diálogo e reflexão é essencial para que as equipes possam ousar. As pessoas precisam não apenas se sentir à vontade e seguras para fazer diferente, mas também serem estimuladas a isso, pelas lideranças.

Cabe aos líderes dar o exemplo de participação no dia a dia, bem como incentivar os liderados a expressarem seus pontos de vista em reuniões, projetos e decisões importantes. Um líder centralizador ou mais fechado pode passar a ideia de que não valoriza a opinião alheia e acabar limitando a possibilidade de contribuições.

As lideranças também têm o papel de garantir que as tentativas e os erros feitos em nome da inovação sejam devidamente compreendidos. É preciso haver tolerância e aprendizado com as falhas e os imprevistos encontrados pelo caminho. Quem se propõe a criar algo diferente nem sempre acerta de primeira. Se fracassar for um problema, a tendência é que os colaboradores fujam das situações de risco.

Além das lideranças e da cultura organizacional, outro pilar elementar dentro de uma companhia que busca ser inovadora e criativa é a contratação de profissionais qualificados. A soma de talentos, de variados perfis e em diferentes áreas, é básica para uma empresa se destacar e crescer.

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No entanto, o momento não é dos mais favoráveis. De acordo com dados da 23ª edição do Índice de Confiança Robert Half (ICRH), 76% dos recrutadores estão com dificuldades para contratar profissionais qualificados. Entre os entrevistados, 69% sinalizam que o cenário não deve mudar nos próximos seis meses, enquanto 20% acreditam que ele será ainda mais complexo.

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Enfrentar esse desafio exige a elaboração e a execução de um planejamento estratégico para acertar nas contratações. Deixar para agir apenas quando surgem demissões é a pior alternativa, pois a pressão para repor um profissional não leva às melhores escolhas. O ideal é ter um “mapa” do tipo de profissional necessário para a organização prosperar e se orientar por meio dele.

Evite as armadilhas do processo de inovação

Ao lado das boas práticas para contar uma equipe mais criativa, há medidas que devemos tomar para impedir os perigos de inovar a qualquer preço. Cito aqui as duas ações principais, a meu ver:

  • Fuja de modismos – a força da palavra inovação fez surgir uma série de receitas de bolo sobre como ser inovador. Porém, o que funciona para uma empresa pode não funcionar para outra. É fundamental que cada organização avalie seu contexto e cultura para inovar com sucesso;
  • Pense antes, faça depois – ter um ambiente mais solto e arejado não quer dizer que a inovação dispense a construção de estratégias sólidas, com objetivos e processos bem definidos. Inovar sem direção acarreta prejuízos desnecessários.

Antes de terminar, devo lembrar que ainda há organizações com regras e hierarquias rígidas e pouco sintonizadas com as demandas de flexibilidade (de modelos de trabalho, de pensamento, de aparência, etc) do mundo contemporâneo. A rigidez inibe a contribuição para soluções inventivas. Com o receio de críticas e represálias, as equipes preferem a segurança do silêncio. Se as equipes são obedientes e quietas demais, vale pesar os prós e contras dessa característica, tendo em vista a evolução dos colaboradores e da empresa.

*Fernando Mantovani é diretor-geral da Robert Half para a América do Sul e autor do livro Para quem está na chuva… e não quer se molhar

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