Para muito além do salário: por que as pessoas se demitem

  1. Felicidade é a chave 
  2. Ser somente fonte de renda não basta
Tempo estimado de leitura: 3 minutos

Por Fernando Mantovani

Por muito tempo trabalhar foi considerado um mal necessário, um sacrifício a ser feito em nome de se obter a contrapartida financeira da qual dependemos para viver. O salário estava no centro das relações entre empregados e empregadores. Cumprir horários, metas e receber o pagamento no dia certo era a definição de um bom emprego.

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O cenário se modificou com a criação de planos de carreiras e de pacotes de benefícios cada vez mais sofisticados, atendendo necessidades variadas dos funcionários, como evolução profissional e cuidados com a saúde e o bem-estar. Além de uma boa remuneração financeira, sentir a possibilidade de ascender, trabalhar em modelos flexíveis e contar com um bom convênio médico tornou-se o sonho de muitos trabalhadores.

Felicidade é a chave

Nada disso, porém, conta tanto nos dias de hoje quanto o fator felicidade. Uma pesquisa conduzida pela Robert Half, em parceria com a The School of Life Brasil, identificou que “não se sentir feliz no trabalho” foi o principal motivo para que 44,12% dos 100 profissionais entrevistados pedissem demissão voluntariamente. Note que o número é quase metade do total de profissionais ouvidos.

O estudo, realizado em maio, faz parte do Índice de Confiança Robert Half 2023 (ICRH) e pedia aos entrevistados que citassem até três motivos para terem se desligado da última organização onde trabalharam. O mapeamento contemplou a opinião de trabalhadores desempregados com idade igual ou superior a 25 anos e formação superior completa, categoria que abrange os profissionais qualificados.

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Além da felicidade, os top 5 motivos para pedidos de demissão, de acordo com a pesquisa, incluem a busca por novos desafios (42,65%); a falta de perspectiva de crescimento (33,82%); não se sentir valorizado no trabalho (27,94%); e a relação ruim com antigos gestores (19,12%).

Em seguida, aparece o desejo de maior remuneração (13,24%); o sonho de mudar de carreira (10,29%) e a relação ruim com colegas de equipe (7,35%). Ter benefícios mais atrativos (4,41%) figura em último lugar, confirmando como os anseios dos trabalhadores se modificaram bastante ao longo do tempo.

Ser somente fonte de renda não basta

A expectativa de que o trabalho seja uma fonte de renda, mas também uma atividade interessante, prazerosa e significativa faz todo o sentido. Passamos boa parte da vida trabalhando, e isso quer dizer no mínimo três décadas da nossa existência. A pandemia só fez reforçar esse ponto, já que evidenciou a relação direta entre saúde mental e uma rotina em que caibam momentos com a família, lazer e cuidados com o corpo e a mente.

Podemos deduzir, então, que as empresas são responsáveis pela felicidade de seus times? Acredito que ser feliz é um projeto, acima de tudo, individual, que envolve inúmeras escolhas e circunstâncias, algumas delas imprevisíveis. No entanto, as organizações podem sim apoiar seus funcionários nessa busca tão valiosa.

Identificar o que aumenta ou diminui o nível de satisfação no trabalho e oferecer soluções é uma excelente iniciativa para melhorar o bem-estar de todos. Os efeitos desse movimento serão sentidos tanto na atração de talentos quanto no engajamento dos funcionários.

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Em paralelo, cada profissional deve fazer a sua parte. Acredito que uma das melhores formas de se sentir feliz no trabalho é exercê-lo com um propósito maior do que o holerite. A seguir, destaco algumas medidas que contribuem para se ter uma atuação profissional mais significativa e recompensadora:

  • defina propósito para você – esse conceito é muito variável e particular, por isso é necessário estabelecer a sua própria visão de propósito e agir para transformá-la em realidade;
  • impacte os outros positivamente – participar de projetos que serão úteis à sociedade, apoiar os novatos na empresa ou ajudar a comunidade do entorno são modos de melhorar o universo ao seu redor e se sentir bem;
  • leve em conta o prazer – não basta ser competente em uma área, é preciso que esse talento seja acompanhado da satisfação de colocá-lo em prática. Sem isso, a rotina se torna maçante e vazia;
  • avalie sua compatibilidade com a empresa – ter valores e objetivos afinados é básico para se sentir pertencente a uma organização. O pertencimento propicia melhores relações interpessoais e estímulos para crescer junto com a companhia.

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Para concluir, destaco que na vida real a felicidade nos escapa frequentemente, ainda mais no horário comercial. Ter maturidade para lidar com os altos e baixos no trabalho, sem se desesperar e jogar a toalha, é uma boa receita para ser feliz e para recuperar esse estado de espírito quando ele parecer distante.

*Fernando Mantovani é diretor-geral da Robert Half para a América do Sul

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