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Por Fernando Mantovani

Analisar o próprio desenvolvimento e agir no sentido de melhorá-lo é um grande desafio para qualquer profissional. Afinal, é muito mais fácil (e menos doloroso) enxergar os pontos positivos e negativos dos outros, e dar bons conselhos, do que investir em si mesmo, sem ter um chefe, cliente ou prazo para nos “empurrar” adiante.

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O que será necessário para tirar proveito máximo do segundo semestre?

Para esse processo dar certo, o primeiro passo é ter um plano de carreira atualizado. No cenário ideal, esse documento foi feito no início do ano e será revisitado agora. É importante que ele contenha objetivos no curto, médio e longo prazo, e a estratégia para alcançá-los. As informações do plano também devem ser apoiadas em uma reflexão sincera sobre a trajetória já realizada (experiência acadêmica e corporativa) e o perfil profissional (técnico, generalista, comunicativo, introvertido, etc).

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É necessário responder algumas perguntas-chave antes de iniciar o update (ou elaboração, quem sabe) do seu plano de carreira. Uma delas é a clássica, porém não menos relevante, “onde quero chegar?”, imaginando o tipo de empresa, cargo ou área desejada. Aqui, sonhar é válido, delirar, não tanto. Considero delírio almejar, por exemplo, uma ascensão a um nível hierárquico muito acima do atual em um curto prazo. A possibilidade de frustração, nesse caso, é imensa.

Outra questão básica é “como posso chegar lá?” Essa resposta varia tanto quanto a criatividade e a disponibilidade de energia, tempo e capacidade de investimento financeiro do profissional. Há muitas ações que contribuem para impulsionar o crescimento na carreira. Cursos de idioma, especializações, networking, mentoria, terapia, entre muitas outras. Até uma viagem ou hobby podem contribuir a depender do objetivo de cada um.

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O principal é entender que iniciativas são relevantes para o propósito estabelecido. Se a rede de contatos profissionais e pessoais está bem nutrida, apostar em um curso pode ser mais interessante. Se o segundo idioma estiver em dia, um mentor talvez seja uma boa pedida. E assim por diante.

Por fim, é fundamental identificar “quais recursos já tenho e quais preciso ter”. Aqui, me refiro às competências e habilidades técnicas e socioemocionais. Essa resposta é o que fará o plano de carreira se tornar factível ou não. Simplesmente não é viável que alguém com inglês básico tenha como meta trabalhar em uma organização na Inglaterra ainda neste semestre. Entre o presente e o futuro há degraus a serem galgados, e raramente se pula direto da base ao topo, lembre-se disso. 

Como identificar o que precisa melhorar

Acredito que a etapa mais complexa de um plano de carreira seja a de identificação das competências que precisam ser aprimoradas. Nesse ponto, entramos em contato com nossos calcanhares de Aquiles. Não raramente deixamos de perceber quais recursos faltam em nossa bagagem profissional ou, pior, deixamos de ver recursos já adquiridos, aos quais não damos o devido valor.

A seguir, comento algumas medidas que contribuem para que esse processo de mapeamento seja consistente e efetivo:

  • expectativas – estabeleça exatamente quais competências as empresas e as lideranças esperam de um profissional do seu nível hierárquico em sua área de atuação. Seja o mais específico e realista possível;
  • inspiração – observe atentamente profissionais de sucesso na sua área. As qualidades que eles possuem podem ser bons pilares para buscar evolução na carreira e se destacar;
  • feedback – valorize a opinião de terceiros sobre o seu trabalho, incluindo pessoas que não fariam isso por obrigação, como colegas e parceiros comerciais;
  • otimização – incremente os atributos que você já possui. É muito mais simples melhorar uma qualidade ou potencial que já tem em mãos do que fazer ginástica para adquirir uma habilidade incompatível com seu perfil;
  • autoconhecimento – se seguiu seu plano de carreira à risca e os resultados não apareceram, talvez seja hora de buscar uma compreensão mais profunda de si mesmo e recalcular a rota.

 

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É essencial ter uma carta na manga para os imprevistos, porque eles existirão. Um plano de carreira nos apoia profundamente, mas não é garantia de que chegaremos ao destino previsto. Por isso, desenhar outros cenários não apenas é uma questão de cautela e sabedoria, como também é uma forma de ficarmos confortáveis frente a obstáculos que sejam intransponíveis. Assim, a trilha fica mais leve e possível de ser percorrida.

*Fernando Mantovani é diretor-geral da Robert Half para a América do Sul

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